Entrevista: Ricardo Dória – Founder @ Aldeia Coworking
Marcus Pereira 2014/08/08 16:45:00 +0000 | 6 minutos de leitura
[editar artigo]

Entrevista: Ricardo Dória – Founder @ Aldeia Coworking

Para comemorar o Coworking Day 2014 uma entrevista especial aqui no Capivalley: Ricardo Dória, fundador da Aldeia Coworking e co-fundador d'A Grande Escola. Como ele mesmo se diz, um Agitador-de-Empreendedores-e-Negócios-Legais que começou a empreender naturalmente, antes mesmo de abrir sua primeira empresa, e quando percebeu já estava 100% imerso nesse mundo. "Nessa hora, eu já estava empreendendo e não sabia", explica. E isso sem contar o astral bom com que ele nos recebeu aqui na Aldeia, espaço que já deu origem a projetos muito legais como Motion Layers e o Pecha Kucha Curitiba, e dizem ter um dos melhores cachorros quentes da cidade. Vamos experimentar e depois contamos. Enquanto isso, confira a entrevista! :)

Por que você resolveu empreender? Qual a(s) sua(s) motivação?

Eu comecei minha vida profissional como funcionário de uma empresa bem bacana, e estava construindo uma carreira que me orgulhava de várias formas. Mas aos poucos, fui percebendo em mim mesmo alguns sonhos e projetos que nunca se realizariam dentro de um cenário tão bem construído como uma empresa já estabelecida. O trabalho começou a perder sentido e meus olhos começaram a prestar atenção no mundo lá fora até que a vontade de fazer meus sonhos ganharem as ruas foi insuportável. Pedi demissão e comecei minha primeira empresa.

Quando identificou o seu potencial empreendedor?

Essa é uma coisa maluca. Na faculdade, nunca fui instruído que eu poderia um dia empreender. Essa possibilidade nunca passou pela minha cabeça ao longo do curso. Já no emprego, comecei a me engajar em projetos maiores do que minhas tarefas. Desses engajamentos, saíram a equipe de corrida da empresa, ideias de soluções para clientes com os quais trabalhávamos e até projetos pessoais que nunca virariam negócios. Nessa hora, eu já estava empreendendo e não sabia.

Quem ou o que te inspira?

Quem coloca ideias na rua. Pessoas criativas e realizadoras de toras as áreas. Quando vejo um projeto admirável invadindo a realidade, sempre tentando entender a cabeça e a motivação de quem o criou. Essas pessoas são em sua maioria anônimas, mas me inspiram de uma maneira insuportável.

Qual o maior desafio que já enfrentou até hoje enquanto empreendedor?

Creio que meu maior desafio é diário. Manter foco e disciplina sem ter um chefe.

E a maior alegria que empreender te proporcionou?

A alegria da realização. Ver um projeto com o qual você sonhou chegando a um estágio de "vida" é fantástico. Me lembro até hoje o primeiro mês que minha empresa pagou as próprias contas. Foi emocionante.

Foi o coworking que me escolheu.

Por que escolheu o segmento de coworking? De onde veio a ideia/motivação para a abertura da Aldeia?

Para mim, o coworking é uma plataforma super-potente para colocar ideias na rua. Qualquer pessoa pode acelerar muito seus projetos em um coworking, por conta das conexões e aprendizados que o espaço gera. Acho que foi o coworking que me escolheu.

E A Grande Escola? De onde surgiu essa ideia? Conte um pouco sobre este projeto.

Toda ideia empreendedora acaba nascendo de uma vontade de que as coisas sejam melhores ou diferentes. A ideia da Escola surgiu de vários brainstorms que eu fazia com um ex-colega de faculdade chamado Guilherme Krauss. A gente não gostava de ver a "instituição escola" colocando nas ruas PHDs que não sabiam fritar um ovo, ou MBAs que tinham dificuldade em falar que amam alguém. Nessa hora, a ideia de uma escola que ensina as pessoas a enfrentar as verdadeiras provas da vida nasceu. Hoje somos sócios nessa empresa.

Quais os planos para o futuro para Aldeia e A Grande Escola?

É muito difícil pensar em planos futuros. Temos sonhos enormes. Queremos levar a Escola para o mundo, e eu sonho em fazer a Aldeia ajudar cada vez mais pessoas a colocar seus sonhos em prática. Enquanto estivermos fazendo isso, os planos para o futuro estão encaminhados.

Quais você acredita serem as maiores dificuldades enfrentadas por empreendedores?

Creio que o empreendedor precisa ser muito bom em trabalhar o conceito de hipóteses, que se confirmam ou não. Se um cara começa a considerar tudo que ele faz como "erros" ou "acertos", ele vai viver na frustração, mas se ele trabalhar essa questão da hipótese, ele vai entender o poder do desapego à primeira ideia.

Como você vê o mercado de startups e empreendedorismo em Curitiba, e no Paraná?

Eu estou vendo um amadurecimento enorme no mercado. Hoje, já se fala em Startup, o que era quase impossível 3 anos atrás. Para esse mercado, entendo que os próximos passos são entender como um mercado se comporta, e começar a alinhar uma evolução em conjunto.

Qual papel acredita que um espaço de coworking como a Aldeia representa nesse cenário?

Os espaços de coworking podem catalisar muitos projetos de startups. O custo baixo, o baixo comprometimento com um futuro "travado" e as milhares conexões que o espaço proporciona são um mega-adubo para ideias inovadoras, malucas e transformadoras.

Um conselho que aprendi em Stanford. "Não quero ouvir suas ideias, quero ver seu trabalho".

Se você pudesse deixar um conselho para novos empreendedores, qual seria?

É o conselho que aprendi em Stanford. "Não quero ouvir suas ideias, quero ver seu trabalho. Não perca tempo pensando, prototipe". Entendo que quanto antes um novo empreendedor começar a trabalhar sua ideia no plano da realidade, menos tempo, dinheiro e trabalho ele vai gastar com coisas menos importantes. Ideias não valem nada. Ideias na rua valem uma vida inteira.

COMPARTILHE
Marcus Pereira

Marcus Pereira

Community Manager - Capivalley

Artigos relacionados

login modal