Entrevista: Saulo Marti - CEO @ Vitrina
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Entrevista: Saulo Marti - CEO @ Vitrina

Para a estreia das Entrevistas conversamos com Saulo Marti, co-fundador e CEO do Vitrina, empresa curitibana que fornece uma plataforma de comércio eletrônico que permite conectar vendedores e compradores. E o melhor: tudo isso pronto para o mobile, já que um aplicativo para a loja faz parte dos planos disponíveis. Segundo comunicado oficial, “a Vitrina tem como objetivo entregar mobilidade e facilidade ao consumidor, permitindo que os usuários comprem e vendam roupas, acessórios e outros itens de moda de forma rápida, segura e fácil, com apenas alguns cliques e direto do celular." A empresa recebeu aporte de R$1 milhão no fim do ano passado, e tem na sua equipe de fundadores, além de Saulo, Marcelo Reis, Dalmo Picharki, Ricardo Pedroni e Antonio Sanseverino. Confira a entrevista!

Por que você resolveu empreender? Qual a(s) sua(s) motivação?

Porque eu queria um desafio novo. Queria fazer algo que fizesse diferença para muitas pessoas. Queria ajudar a fomentar o mundo de startups no Brasil. Sempre quis e continuo querendo.

Quando identificou o seu potencial empreendedor?

Eu sempre tive espírito empreendedor. Desde criança bolava diversas formas de ganhar dinheiro. Desde cuidar de crianças, andar com cachorros ou (o meu favorito) uma rede de distribuição/arbitragem de figurinhas de Pokemon. Mas resolvi de fato fazer isso quando, após um ano de Trainee em uma grande empresa, com um ótimo salário, fazendo tudo que eu queria ao entrar, vi que eu queria outro desafio.

Quem ou o que te inspira?

O Desafio me inspira. Meus sonhos me inspiram. A vida que eu imagino para os meus filhos, a diferença na comunidade que gostaria de fazer. Sou workaholic, então eu quero trabalhar com algo que realmente me dê vontade de levantar todos os dias e fazer. Eu olho para empreendedores como Jeff Bezos, Elon Musk, Alexis Ohanian, Jack Dorsey e outros muito menos famosos e tenho vontade de ir além de construir uma empresa. Eu sou sonhador. Porém eu reconheço que antes de chegar a qualquer um desses pontos, tenho MUITO trabalho pela frente.

Qual o maior desafio que já enfrentou até hoje enquanto empreendedor?

Sem dúvida é a incerteza e a rejeição. Eu larguei um baita de um emprego, trabalhando em um setor que sempre pensei em trabalhar (video games) e abri mão dessa oportunidade para ir atrás do meu verdadeiro sonho. Com isso veio muitas mudanças no estilo de vida, reorganização de prioridades e até mesmo períodos sem ganhar um centavo (longos períodos). Então essa incerteza é o maior desafio para qualquer empreendedor. Além disso tem a constante rejeição, as vezes do mercado, as vezes de potenciais investidores, as vezes de ideias, de potenciais funcionários. Toda rejeição machuca, mas tem que saber enfrentar isso. Me disseram quando eu falei que iria empreender que ter uma startup era ter que matar um leão por dia, agora eu entendo o motivo.

E a maior alegria que empreender te proporcionou?

Tive algumas. Receber o primeiro aporte de capital foi uma sensação de conquista absurda. Foi algo que eu, pessoalmente (uma vez que eu tinha essa função), lutei muito para conseguir. A outra foi ver o produto ser lançado. Na verdade, toda vez que eu abro o www.vitrinapro.com.br, ou recebo um email de uma compra realizada no Vitrina, é uma alegria imensa. Além disso, toda vez que eu sou convidado para palestrar em alguma universidade, ou dar uma entrevista como essa, e saber que leitores, alunos e/ou espectadores vão aprender um pouco mais sobre esse mundo, eu fico muito feliz.

Quais você acredita serem as maiores dificuldades enfrentadas por empreendedores?

A falta de preparação no mercado. No Brasil, hoje, você falar para possíveis clientes que você é uma startup é quase que um tiro no pé. As pessoas que conhecem ou associam isso com falta de qualidade ou não têm ideia do que se trata. Empresas jovens no Brasil não são vistas como positivas. Eu lembro de uma matéria que tenha saído na Pequenas Empresas & Grandes Negócios sobre a gente em Abril. Nós estávamos no ar a menos de 1 mês e um leitor fez um comentário sobre como as lojas na página de exemplos eram tão "pequenas e ruins", "sem expressão" e que a gente não era ninguém. Que, do nosso modelo de negócio, "só sai bosta". Aquilo me chocou, mas me mostrou também um pouco da realidade do mercado.

Por que escolheu o segmento de moda? Por que comércio eletrônico?

Moda foi por um acaso do destino. Nós gostávamos muito do segmento e curiosamente nós temos muitos contatos nesse mundo. Era um segmento que tínhamos uma boa porta de entrada, além de ser uma ótima oportunidade de negócio. O comércio eletrônico de forma geral, que hoje é o nosso foco, foi justamente por causa de nossos clientes. Ouvimos nossos usuários do Vitrina, suas necessidades e vontades, analisamos o mercado e foi assim que surgiu o VitrinaPRO.

Conte um pouco sobre o estágio em que o Vitrina se encontra no momento.

A Vitrina, empresa, hoje se encontra em um momento muito emocionante. Nosso primeiro produto, o Marketplace Vitrina, está de certa forma estável, crescendo em um ritmo orgânico e por conta disso podemos focar no VitrinaPRO que é onde colocamos 99,9% de nossas energias hoje. O VitrinaPRO é uma plataforma com muito potencial. Bate de igual com qualquer uma do mercado, além de ter o grande diferencial de ter aplicativos nativos para iOS e Android. NENHUMA, do mundo, oferece isso. Não como nós. O desenvolvimento tem sido muito acelerado para atender cada vez mais as demandas e necessidades do mercado.

Depois de alguns meses após o aporte, quais os planos para o futuro do Vitrina?

O Vitrina vai ser internacional e provavelmente não será apenas de moda. Ainda estamos decidindo isso. O VitrinaPRO é nosso principal produto. Ele é carro-chefe. Nós vamos revolucionar o mercado de comércio mobile.

Como você vê o mercado de startups e empreendedorismo em Curitiba, e no Paraná?

É um mercado com potencial. Está crescendo porém, ainda falta muito apoio. Precisamos de eventos, programas e encontros patrocinados pelos empreendedores. Eu sou um dos culpados disso. Eu já fui convidado para muitas coisas, já dei palestra, já fiz workshop, mas sempre como convidado. Nunca como organizador. Os empreendedores aqui estão muito focados nas suas próprias empresas, o que não há nada de errado, mas falta ainda um pouco de entrosamento. Está cada vez melhor. Pessoas como o Danilo Brizola da Snowman Labs, o pessoal da Nex Coworking e da Aldeia Coworking estão sempre fazendo o possível também para apoiar e promover. Mas falta um pouco mais de comprometimento de nós empreendedores. Em São Paulo, que é SP, todo mundo se conhece. Aqui as pessoas continuam distantes uma das outras. Falta também um certo apoio das grandes empresas que já existem aqui. Empresas como Positivo Informática, Boticário, GVT, HSBC e algumas outras gigantes que estão presentes precisam apoiar mais o mundo de startups.

Se você pudesse deixar um conselho para novos empreendedores, qual seria?

Não acredite em tudo que você lê. Nada é tão fácil, nada é tão bonito e nada é tão simples. Não encare empreendedorismo como uma forma de trabalhar mais "livre", pois você, mais do que nunca, será escravo do trabalho. Porém, se você é workaholic, se você ama desafios, não tem nada melhor no mundo. Outra dica que sempre gosto de dar é, conheça outras pessoas que fizeram ou estão fazendo. O LinkedIN é a melhor ferramenta do mundo para isso. Aproveitem.

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Marcus Pereira

Marcus Pereira

Community Manager - Capivalley

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