Essa Startup é demais, mas como ela ganha dinheiro?
2015/06/22 21:25:52 +0000 | 7 minutos de leitura
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Essa Startup é demais, mas como ela ganha dinheiro?

Durante muito tempo assumimos a máxima de que o único propósito de qualquer empresa é gerar retorno a seus acionistas. Com o passar do tempo esse conceito foi mudando, mas nunca deixou de ser. Adquirimos responsabilidades e compromissos que diminuem o retorno dos acionistas a curto prazo e que garantem a médio/longo prazo estabilidade na cadeia produtiva de uma empresa. É o caso de investimentos em sustentabilidade, por exemplo.

Quando falamos em Startup, aquela fase onde as empresas, ou projeto delas, estão pensando no desenvolvimento da tecnologia ou do processo, é possível ver a presença de soluções inovadoras, porém, pouca estrutura ou visão de negócio sustentando elas. Em outras palavras, há a preocupação de atender a necessidade proposta pela empresa, sem necessariamente apresentar retorno imediato, ou melhor, o dinheiro passa a ser consequência.

Sim, eu sei que isso confunde nossa mente programada para o lucro e o retorno sobre qualquer investimento. Mesmo eu, que tenho a mente aberta, criativa e propensa a inovação, precisei de algumas imersões mais profundas para entender a engrenagem. O que de fato não deixa de ser curioso, vou tentar esmiuçar um pouco esse conceito.

Para tal, talvez seja preciso voltar um pouco na história. O homem descobriu a produção, que descobriu a troca de produtos (escambo), que criou uma moeda de troca, que passou a vender serviços, que industrializou os produtos, que modernizou processos, que inventou tecnologias, que permitiu o surgimento de novas estruturas de negócios, como o Orkut, Twitter, Facebook que aparentemente não vendem um produto, mas agregam serviços e convergências. Bem resumidão para poder seguir o pensamento…

A ideia do “free” já foi bem discutida no mundo da economia. Entregar um produto gratuito para o usuário e buscar a rentabilidade através de outras plataformas e serviços em outra ponta já é uma realidade presente na nossa forma de pensar uma empresa e, basicamente, as startups baseiam-se nesse conceito para desenvolverem seus produtos/tecnologia. Até aqui, nenhuma grande novidade.

O ponto é que as empresas, à partir de grandes aquisições e fusões, passaram a ter muito valor agregado a marcas e a capacidade de inteligência sobre as bases de dados. E é isso que normalmente uma Startup vende, a promessa de ser e se tornar “vendável”, seja fruto de sua base, seja por se tornar uma ferramenta indispensável para o usuário.

O que estou dizendo é que não precisa mais ser vendido um produto ou um serviço para que se gere valor. E fica cada vez mais difícil buscar formas de alcançar receitas. É possível, inclusive, encontrar empresas que permitem a troca de produtos e serviços sem envolver nenhuma moeda na transação. Mas calma, não voltamos à Idade Média…

O que muitas Startups vendem é uma base de dados rica de informações. Essa base está perdendo valor com o tempo, explico. Ao olhar para o usuário, podemos presumir que ele não utiliza apenas uma plataforma ou uma rede isolada. As informações se repetem e quanto mais empresas, aplicativos, softwares como serviço atenderem o mesmo nicho de usuários, mais comum serão as bases de informações. Quando algo se torna comum, ele perde valor, vira commodity e perde o diferencial.

O fato é que muitas empresas não sabem bem lidar com a base de dados que possui, tudo isso é ainda muito novo e entendível, todos estão descobrindo juntos. Sendo assim, o que de fato as empresas e investidores estão interessados não é apenas uma base de usuário.

Quando pensamos nos modelos tradicionais, o share of wallet (disputar a carteira do cliente, ou onde ele gasta seu dinheiro) é um indicador fundamental para qualquer empresa. Nos casos de empresas online, de tecnologia e principalmente aplicativos, o grande foco tem sido o share of time (onde e como os usuários estão gastando o seu tempo) e é isso que tem agregado valor as marcas e empresas. Quanto mais uso, mais valor.

Uma outra forma de rentabilizar o negócio é através da publicidade que a ferramenta disponibiliza para outras marcas e empresas. Aqui entra uma outra parte delicada, a publicidade não se adequa em qualquer plataforma e ferramenta e nem sempre condiz com a demanda do usuário. Além do que, a publicidade também está mudando e buscando outras formas de se vender. Não é de se duvidar que em pouco espaço de tempo isso também perca seu valor na estrutura de formação de receita.

Ainda assim, existem plataformas que não utilizam uma rentabilização ou não possuem nenhuma fonte de recursos. Como elas sobrevivem? Do que se alimentam? Como dormem?

É aqui que quero chegar, puxar a cadeira e falar, meus amigos, vejam bem…

Muitas dessas Startups (empresas, aplicativos, tecnologia, Saas) vendem sonhos. Vendem promessas que muitas vezes não sabem como vão alcançar — ou tentam, através de indicadores criados por elas mesmas, o que não dá muita garantia. Vendem possibilidades e ganham muito dinheiro com isso. Como? Através de inúmeras rodadas de investimentos.

O que vem acontecendo é que muitas empresas, muitas mesmos, estão captando dinheiro através de investimentos, vendendo o sonho do empreendedorismo sem entregar absolutamente nada, afinal de contas é tudo um grande teste.

E aí? Aí que vivemos num mundo que ok, talvez um dia não precise mais de dinheiro, mas que ainda assim, precisará de resultados. Acontece que os investidores começarão a repensar sua forma de investir (e isso já vem acontecendo nos Estados Unidos e em boa parte do mundo), mais do que ofertar tecnologias que preencham uma necessidade do usuário, as empresas precisarão pensar em como de fato gerarão valor para os acionistas, para os usuários, para os stakeholders e até mesmo, ou fundamentalmente, para o mundo.

Mundo este que não é uma colônia de férias, uma hora a conta vem, resta saber quem vai começar a pagar por ela… Ou viraremos todos hippies e poderemos viver de amor, quem sabe?!

Via Medium

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Brunna Paese

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