Livestream como modelo de negócio: Twitch e Sywork
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Livestream como modelo de negócio: Twitch e Sywork

Não é de hoje que adoramos ver outras pessoas, em tese normais, fazendo as mais variadas atividades. O entretenimento que começou com reality-shows de diversos tipos - entre eles o Masterchef que assisto regularmente :) - hoje toma outro formato através de plataformas de livestream. Em português bem claro, transmissão ao vivo.

Se pararmos para pensar no formato destas plataformas de livestream, como o Twitch, Periscope e a brasileira Sywork, recém lançada na YCombinator, fica muito claro o modelo de funcionamento. Alguns usuários com maior relevância geram conteúdo e transmitem ao vivo, enquanto outros apenas assistem. A cultura em que qualquer um pode ter seu broadcast, ou o seu canal de TV, como preferir.

Evolução do livestream

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Transmitir ao vivo eventos pela internet é algo comum desde os primórdios da tecnologia digital. Lembro bem que na época do Orkut e quando o Twitter cresceu bastante no Brasil, eram muito comuns as transmissões ao vivo, especialmente por bandas e blogueiros "webcelebridades" em plataformas como a Twitcam - hoje engolida pelo Periscope, aplicativo oficial do twitter para livestream.

Com o tempo a evolução da tecnologia foi fundamental para o crescimento e a popularização do livestream. A internet permite algo inédito na comunicação: todos podem ser emissores e receptores em um mundo digital onde os papéis exercidos pelos diferentes usuários se misturam o tempo todo. A internet se mostra cada vez mais horizontal, onde todos têm à disposição as mesmas possibilidades. Basta querer. Plataformas que usam a tecnologia livestream souberam se aproveitar muito bem desse ponto.

Tanto é verdade que os usuários anseiam por essa condição de emissores de conteúdo, que hoje existem plataformas para transmissão ao vivo dos mais variados tipos e segmentos, desde as mais abrangentes como o Google Hangouts on Air, e a própria Livestream.com, quanto plataformas de nicho, como o Twitch e a Sywork, que vamos falar mais pra frente.

3 motivos fundamentais para o crescimento do livestream

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Na minha opinião três pontos são fundamentais para o crescimento do livestream na internet que vivemos hoje: o desenvolvimento contínuo de tecnologias de captação e transmissão de áudio e vídeo; o aumento da capacidade e da velocidade das conexões de internet e transmissão de dados; e por último, mas quem sabe o mais importante, a descoberta de um modelo de negócios para viabilizar as plataformas.

1) Tecnologia de captação e transmissão de áudio e vídeo

Esse ponto é quase mais que fundamental, até porque não tem como haver transmissão se não houver o que transmitir. Hoje em dia todos os celulares já vem equipados o suficiente para fazer um livestream com um mínimo de qualidade. Tanto é que o próprio Periscope, do Twitter, é baseado em um aplicativo mobile.

2) Aumento da velocidade na conexão de internet

Falar sobre esse tema no Brasil é algo complexo, ainda mais com os problemas que todos nós enfrentamos diariamente com a qualidade da telefonia - em especial a móvel. De todo modo, para aqueles que tem banda larga, apesar dos problemas do serviço e do atendimento das empresas, hoje temos uma velocidade de conexão quase inimaginável anos atrás. E como tudo o que envolve a tecnologia eu não espero que essa evolução pare por aqui.

3) Descoberta de um modelo de negócios

Como toda tecnologia que surge, em geral pela mão de uma startup, o desafio cai sempre sobre a necessidade de um modelo de negócios, até porque não faz sentido existir uma tecnologia se não existir uma forma de viabilizá-la financeiramente.

Bons exemplos a seguir: Twitch e Sywork

Falando sobre modelo de negócios para livestream acho válido destacar aqui duas plataformas - uma mais antiga e uma recém lançada - que parecem ter conseguido encontrar um nicho relevante o suficiente, que enxerga valor na possibilidade de transmitir seu trabalho ao vivo, e melhor do que isso: em um segmento onde alguém está disposto a pagar a conta.

livestream twitch

O primeiro exemplo para citarmos é o Twitch, uma plataforma de livestream de video games, lançada em 2011 como um spin off do Justin.tv. Existem dois tipos de contas disponíveis para o cadastro do usuário, uma gratuita e uma paga, e nisso se baseia a geração de receita da plataforma além, é claro, da publicidade. Vale lembrar que tanto no Twitch quanto na Sywork o usuário que faz o livestream também pode monetizar sua transmissão.

O Google tentou comprar a startup mas quem levou a negociação foi a Amazon. Tamanha era a vontade do Google em entrar no segmento que um serviço semelhante sob a bandeira do Youtube está em desenvolvimento por eles, o Youtube Gaming. Hoje o Twitch já ultrapassa a marca de 55 milhões de usuários ativos e 8 bilhões de pageviews por mês.

O segundo exemplo é a Sywork, uma startup de Curitiba que faz a mesma coisa que o Twitch, mas para outro público: os ilustradores e artistas digitais. Através da plataforma qualquer pessoa que faça trabalhos manuais pode ter seu canal próprio onde os usuários podem se cadastrar para receberem notificações sempre que o artista estive online transmitindo.

livestream sywork

A ideia surgiu pois ambos os fundadores da startup tem uma ligação grande com o mercado criativo, e pensaram que seria muito bacana poder assistir aos seus ídolos enquanto estes criavam seus trabalhos novos. Eles começaram buscando um lugar onde ilustradores poderiam mostrar mais sobre seu trabalho, e no processo acabaram descobrindo que outros tantos artistas tinham o mesmo problema. Disso tudo, surgiu a Sywork que hoje encontra-se no Vale do Silício sendo acelerada pela Y Combinator, uma das maiores aceleradoras do mundo com cases como AirBNB, Dropbox e Reddit - em tempo, a Sywork é a primeira startup da América Latina a figurar entre as selecionadas pela YC.

A Sywork está no ar há apenas três semanas e cresce rápido: já contabiliza mais de 200 transmissões, cada uma com em média 1 hora e meia, com cerca de 6 mil espectadores de mais de 115 países.

O livestream cada vez mais se prova como uma excelente opção para transmissão de conteúdo na web, e me parece que quanto mais de nicho for, maior será o sucesso das plataformas e o engajamento com o conteúdo gerado. Bom, como qualquer site de conteúdo o nicho parece ser a tendência e o melhor caminho para quem produz conteúdo de qualidade na web.

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Marcus Pereira

Marcus Pereira

Community Manager - Capivalley

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