O que política e empreendedorismo tem a ver?
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O que política e empreendedorismo tem a ver?

Você acredita que política é uma forma de empreender? Ou acredita que todo empreendedor deveria ser politizado? Parecem dois mundos distintos, mas são apenas duas faces da mesma moeda!

Temos tido uma porção de acontecimentos nos últimos anos, uma enxurrada de posts haters de ambos os lados nas redes sociais, um monte de informações fakes, duvidosas e sem procedência, que são compartilhadas diariamente e um sentimento pesado e negativo que afasta ao invés de agregar.

Empreender está diretamente ligado aos seguintes princípios:

– livre iniciativa;

– propriedade privada;

– lucro;

– responsabilidade individual; e

– igualdade de todos perante as leis.

Para que isso aconteça, são necessários dois pontos importantes: Liberdade e Fiscalização. A liberdade, da forma como abordo, é a ausência de coerção de indivíduos sobre indivíduos ou de instituições públicas/privadas sobre indivíduos (empreendedores). Como diz Ayn Rand: “apenas em regime de liberdade se desenvolvem plenamente as potencialidades individuais". Essa liberdade (que temos em um regime democrático), nos permite compreendermos nossas lacunas de competências e conhecimentos e empregarmos esforços por livre iniciativa para saná-las, aproveitando ou criando oportunidades de aprendizado.

Política e empreendedorismo

O empreendedor como solucionador de problemas

A partir dos princípios acima citados, ainda que o empreendedor tenha um negócio social, os pontos se aplicam em sua totalidade. O empreendedor como solucionador de problemas, deverá ter a livre-iniciativa de empreender, não dependendo de terceiros para agir. Terá direito ao que for criado em termos de propriedade intelectual, produtos ou serviços. Deverá buscar lucro para que a empresa se torne viável e escalável ou para que o lucro seja reinvestido no negócio, tornando-a sustentável (em caso de negócios sociais). O empreendedor deverá ter um apurado senso de responsabilidade individual, não terceirizando à outrem o seu negócio, o seu sonho ou o seu destino. E também deve ter consciência de que todos são iguais perante a lei (ao menos deveriam ser).

Dessa forma, o empreendedor que gera ideias que solucionem problemas de determinados públicos, supre uma necessidade ou aproveita uma oportunidade, está desempenhando o seu papel político na sociedade. Além disso, há a possibilidade de gerar empregos, renda, recolhimento de tributos, contribuindo com o estado e com os municípios em que atua.

Se você fosse dono de uma empresa, substituiria seus diretores, coordenadores e gestores por políticos sem conhecimento técnico ou profissional do seu produto/serviço e sem conhecimento amplo do seu nicho de mercado?

O político como solucionador de problemas

O político é um agente público, eleito e contratado por um período de tempo para defender os interesses da população e legislar/atuar em favor daqueles que deram essa oportunidade para ele. Portanto, o político tem o dever de compreender quem o elegeu, quais suas reivindicações e elaborar projetos que solucionem os problemas, satisfaçam uma necessidade ou que gerem oportunidades para a população. Assim, o político atua e representa o papel fundamental de intraempreendedor. Sua orientação, deveria ser a de trabalhar pelo povo e para o povo, ouvindo-os e não ditando o que acham que a população quer.

O problema

Se você fosse dono de uma empresa, substituiria seus diretores, coordenadores e gestores por políticos sem conhecimento técnico ou profissional do seu produto/serviço e sem conhecimento amplo do seu nicho de mercado? A provável resposta é não. No entanto, fazemos isso a cada dois anos e nem ao menos nos damos conta disso. E o que é ainda mais grotesco é utilizar essas posições como troca de favores e benefícios. Levando em consideração que o empreendedor atua em causa própria, não é de se espantar que o político atue em causa própria também ou à favor de seu partido. Podemos dizer, então, que os políticos atuam baseado em hipóteses, em achismos e em opiniões, pouco se importando em transformá-las em fatos através da validação e sem se preocupar com a qualidade técnica dos gestores de projetos.

A solução

A solução não virá de cima para baixo, terá que surgir de baixo para cima. Isto é, a solução deve vir da rua, do bairro, da cidade, ir para o estado e, posteriormente, para a nação. É justamente aí que os empreendedores cumprem um papel extraordinário de responsabilidade social: o de solucionador de problemas!

Ao invés de focar apenas em negócios mega-ultra-hiper-mirabolantes e hypes, vamos voltar ao básico: encontre um problema, encontre um grupo grande de pessoas que possuam o mesmo problema, crie um MVP, apresente para o mercado, refine, valide, escale. Se cada empreendedor focar em resolver problemas reais e palpáveis que temos na sociedade, em pouquíssimas décadas conseguiremos transformar essa nação.

Se empreender é a arte de resolver problemas, bem, o Brasil é um prato cheio. Convido você, empreendedor, a se tornar um agente de transformação politizado e consciente, para que juntos consigamos resolver a maior quantidade de problemas possível. Aceita o desafio?

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Julio Lussari

Especialista em Marketing pela ESIC Business School. Já impactou mais de 12.000 pessoas diretamente em suas palestras e treinamentos. Foram mais de 100 atendimentos de Coaching. Mais de 200 mentorias em eventos como o Startup Weekend e no Pirates.

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