Spotify x Apple Music: quem vence a batalha dos streamings?
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Spotify x Apple Music: quem vence a batalha dos streamings?

Desde que o mercado dos streamings de música se consolidou o Spotify é a empresa que ocupa a liderança do segmento. Quem sabe, por pouco tempo, já que a gigante da maçã anunciou na última WWDC o Apple Music, serviço de streaming que carrega o legado de Jobs e promete incomodar Spotify, Deezer, Rdio e companhia. O lançamento do serviço Apple Music está marcado para o dia 30 mas até lá parece que ainda haverá muito para ser discutido.

A polêmica que tem gerado todo o buzz - e claro, motivou esse post - começou quando a cantora Taylor Swift criticou o Apple Music, já que a empresa havia declarado que não pagaria os artistas pelas reproduções feitas pelos usuários durante o período gratuito de três meses. Um dia depois a empresa voltou atrás e disse que pagaria.

Spotify x Apple Music?

apple music x spotify

Polêmicas a parte, a dúvida que paira no mercado é: será mesmo que o Apple Music vai desbancar o gigante Spotify com seus mais de 20 milhões de assinantes espalhados pelo mundo? Como bem disse o CEO da Apple, Tim Cook, durante sua apresentação no WWDC, a música sempre teve uma ligação muito forte com a empresa, já que um dos produtos responsáveis pelo boom da marca foi o iPod. Um dispositivo relativamente simples que revolucionou a indústria fonográfica e a forma como nós, usuários mortais, ouvimos música. O que me leva a crer que a gigante da maçã não voltaria a inovar neste segmento para ser coadjuvante. Pelo menos não é o que eu imagino que aconteça.

Bom, o que importa para nós é que ambas as empresas foram startups um dia e ao que me parece essa é uma briga baseada em inovações nas features de um produto já validado no mercado. Modelos de negócio que se assemelham, mas que tem cada um suas particularidades. Por isso mesmo - enquanto escuto uma das minhas playlists no Spotify - resolvi falar sobre as principais características apresentadas pelo Apple Music e porque elas podem ser a evolução do produto já validado pelo Spotify.

Preço

radio ao vivo apple music

Como toda boa briga, essa também começa pela estratégia de precificação dos serviços - âmbito que me parece ser o único em que o Spotify ainda leva vantagem. Enquanto o serviço sueco optou pelo modelo freemium baseado em publicidade, tanto para mobile quanto para desktop, o Apple Music aposta no trial de três meses, tempo que eles acreditam ser suficiente para quem quer experimentar. O produto terá que ser absolutamente incrível com um plano de retenção excelente pois precisa conquistar o usuário durante os três meses de trial, já que em ambos os serviços os planos pagos começam em US$9,99 por mês (R$32 na cotação atual) e no caso da Apple há ainda o plano familiar que custa US$14,99 e cobre até seis logins distintos.

Inovação no streaming

spotify

A Apple já tinha um dos maiores acervos de música com o iTunes. Entrar no mercado de streaming era uma questão de tempo. O que significa que a partir do momento que você assina o serviço todo aquele acervo fica disponível a poucos cliques de distância. Bastante personalizável o Apple Music permite a criação de listas com suas músicas favoritas, o download para ouvir offline assim como o compartilhamento via redes sociais. Até aí nada diferente do Spotify.

O Apple Music identifica os gostos musicais do usuário e cria recomendações baseadas nos ritmos mais escutados, e para quem tem iPhone há a integração com a assistente pessoal Siri. Ou seja, você pode pedir uma música através de comandos de voz. Pedidos bem personalizados inclusive, como a música mais popular de 1994 ou o sucesso da trilha sonora daquele filme.

Rádios ao vivo

apple-music-beats

Enquanto no Spotify o recurso mais próximo do rádio tradicional são as playlists separadas por humor e gênero, no Apple Music a inovação apresenta um tipo de programação que só não é mais antiga que o jornal impresso. O objetivo da Apple com este serviço de rádio é oferecer estações virtuais dirigidas por artistas de renome que poderão ser ouvidas 24/7. A primeira será a Beats 1 transmitida de estúdios de Los Angeles, Londres e Nova York para cerca de 100 países. Engana-se quem acha que só vai haver música: entrevistas e notícias sobre o mercado fonográfico também estarão na programação.

A ideia é interessante e o Spotify não parece muito preocupado com essa categoria. Será um trabalho da Apple de mostrar que pode competir com as rádios tradicionais, tanto as terrestres quanto as via satélite. Além disso eles já tem a maior plataforma de podcasts do mercado no iTunes. Se resolverem inserir a base de programas no Apple Music minha empolgação vai ficar ainda maior.

Como juntar artistas e fãs


Mas para mim a melhor inovação do Apple Music é a seção que eles batizaram de Connect. Diferente do Spotify, as páginas de artistas no serviço da Apple serão administradas pelos artistas com objetivo de funcionar quase como uma mídia social onde eles podem compartilhar com os fãs fotos, vídeos e até mesmo faixas exclusivas.

Sim, o sucesso dessa feature depende da adesão de grandes artistas, mas se pensarmos na estratégia de aquisição do Twitter que "contratou" usuários de renome, é bem possível que o modelo funcione. Você é artista, ou conhece alguém que seja? Essa é a página que explica em detalhes como tudo vai funcionar no Connect. O vídeo ali em cima é incrível - como não poderia ser diferente. Resta saber se eles realmente vão conseguir fazer o que prometem ali: tornar a música rentável não só para os artistas do mainstream, mas também para os de nicho que produzem música no seu quarto. Pode ser que esse seja o único ponto em que eu torço o nariz. Já fui músico um dia e tenho uma opinião bem particular sobre o mercado da música independente.

Mas e aí, quem vence a batalha dos streamings?

A Apple tem a força da maçã e inovações suficientes para preocupar os executivos do Spotify. Por outro lado, os suecos tem mais de seis anos com experiência no mercado de streaming e uma base de usuários de dar inveja mesmo aos pupilos de Jobs.

O Apple Music será lançado no dia 30 de junho, ainda sem preço de assinatura para o Brasil. Ou seja, será gratuito até o início de outubro para a maioria dos usuários. Como falei antes, como um admirador da Apple e conhecendo o histórico deles com a música, eu não acho que eles entrariam nessa para perder. Sem desmerecer o Spotify, claro. Uma competição de modelo de negócio e produto quem sabe nociva para eles, mas altamente benéfica para nós, usuários. Aguardemos os próximos capítulos. Essa novela ainda vai longe.

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Marcus Pereira

Marcus Pereira

Community Manager - Capivalley

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