Startupers e os mares nunca antes explorados…
[editar artigo]

Startupers e os mares nunca antes explorados…

Startupers tem um tipo de mentalidade curiosa. Eles buscam oceanos nunca antes explorados. Esse tipo de indivíduo quer encontrar a todo custo um belo oceano azul, lotado de cardumes de peixes, com uma fauna e flora rica, um bioma equilibrado e isolado de ameaças. Mas a realidade quase sempre é outra: o mais comum é que esses empreendedores estejam lutando por um espaço num grande oceano vermelho, escasso de alimentos, desequilibrado e controlado por toda espécie de tubarões famintos por peixes novos. Se essa realidade é a que os startupers encontram, como é possível sobreviver nesse meio ao mesmo tempo que busca um lugar para se estabelecer, em seu cantinho único e azul?

Uma boa resposta talvez seja que dentre as espécies de animais que nadam por esse tipo de oceano, tem uma que se assemelha muito aos grandes empreendedores inovadores. Possuem visão, velocidade e cooperação necessária para sobreviver aos grandes predadores, sem deixar de ser um predador eficiente que sabe muito bem apreciar um belo cardume de peixes.

cardume

Startupers se assemelham a golfinhos. Alguns são pequenos e muitos rápidos, outros já tem mais corpo e força para competir em mercados mais ameaçadores, com o tamanho e a agressividade das orcas.

Golfinhos possuem algumas qualidades que os tornam uma excelente analogia para a lógica dos novos mercados. São animais de grande velocidade, capazes de manobrar com leveza e agilidade onde grandes tubarões não conseguem.

Golfinhos estão entre os animais mais inteligentes no planeta, conseguindo facilmente enganar grandes tubarões e roubar parte de seus cardumes. Eles podem ser encontrados em quase todas as partes do mundo e isso facilita o apoio mútuo. São altamente sociáveis, conhecidos inclusive por conviverem com golfinhos de outras espécies e com o ser humano em grande harmonia. Ou seja, buscam parcerias positivas que permitem entregar valor para todos.

golfinhos sol

Golfinhos, em adição ao seu sentido de localização, possuem uma visão excelente dentro e fora d’agua – e nesse ponto ver o horizonte em busca de predadores ou novos locais para caçar é uma grande vantagem. Eles são ótimos em cercar cardumes para que mais companheiros do seu bando possam se alimentar juntos, e essa é uma qualidade estratégica para sobreviver em mares perigosos. Além disso, golfinhos sabem se divertir, logo, não tratam seus próprios erros como o drama do fim do mundo – aprendem com eles e se tornam senhores do oceano com o tempo.

Startups Golfinhos são aquelas que possuem qualidades ímpares, mas não são como os praticamente inexistentes unicórnios, aquele grupo de super empreendedores que conseguiram colocar seu negócio para rodar no momento correto, com a equipe correta, com a qualidade correta, acertando em cheio uma grande dor não resolvida para seus clientes, com uma grande pitada de sorte e que deu certo demais além de qualquer expectativa imaginada.

Golfinhos são sim um tipo de startup que busca se tornar único, mas que provavelmente nunca se tornará uma empresa de U$1bilhão, e talvez nem precise, talvez seja mais interessante pro mercado 100 golfinhos de U$10 milhões fazendo o dinheiro rodar mais rápido e com mais oportunidades para todos ganharem.

golfinho rapido

Então, para a startup não ficar presa na espuma do mar e ser apenas um grande peixe pronto para ser devorado pelos seus predadores, ela tem de aderir à algumas premissas, aderir de verdade.

Ser mais rápido em seus processos, buscar validar sempre. Lutar para vender, vender, vender o mais rápido possível antes que os recursos se esgotem. Aproveitar algumas raras oportunidades que surgem por aparente sorte e que duram pouco. Errar cedo para acertar mais rápido – golfinhos não perdem tempo e nem querem perder tempo.

Ser mais inteligente, aprender mais e sempre sobre seus clientes, conhecer bem seus parceiros, escolher bem o nicho que será a sua porta de entrada no mercado, não querer ser tudo ao mesmo tempo, não achar que o mundo todo é o seu cliente inicial, saber controlar seu fluxo de caixa, saber como conseguir ganhar mercado sem depender de investidor logo no inicio, compreender que o uso de recursos é chave para a startup sobreviver tempo o bastante para no mínimo alcançar o ponto de equilíbrio.

Também é de extrema importância ser mais social, aproveitar melhor os recursos da sua rede, conviver mais com pessoas que o estimulem a se manter motivado, encontrar mentores, gurus, mestres, sábios em suas área de atuação ou empreendedores que possam ajuda-los a ver a realidade em que estão se envolvendo. Ser parte de uma grande rede que produza e busque outros golfinhos onde eles estiverem.

E finalmente, ver mais longe, isto é, ter uma visão de longo alcance, um propósito maior, um porque de estar se envolvendo em empreendedorismo. Quem pensa grande e erra por pouco vai ter alcançado grandes feitos, quem pensa pequeno e erra, continuará pequeno e sem impacto.

Quem sabe um dia a startup se torne um unicórnio ou tubarão. Até lá seja um golfinho.

COMPARTILHE
Leonardo Tostes

Leonardo Tostes

Hotmilk Accelerator's Manager

Artigos relacionados

login modal