Tecnologia em Startup: não transforme um aliado em uma âncora
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Tecnologia em Startup: não transforme um aliado em uma âncora

Falar em Startup sem falar em Tecnologia talvez não seja uma ótima ideia. E falar de Tecnologia sem falar em Startup talvez seja limitante demais. Os dois assuntos estão associados na sua mais profunda raiz e nada que façamos vai conseguir separá-los.

Portanto, se você tem vontade de empreender, de montar sua startup, de resolver um problema, tenho uma notícia pra você: você vai ter que dominar a tecnologia.

E quando eu digo "dominar a tecnologia" não estou falando de ser 100% responsável pelo desenvolvimento do seu produto, seja ele digital ou não. Também não estou falando de ser o "garoto do computador" e passar 24 horas por dia trancado dentro do quarto ou do escritório colocando a mão na massa.

Você precisa conseguir navegar pelas necessidades e pelas oportunidades que a tecnologia te traz e tem que saber como usar isso a seu favor no jogo estratégico que é criar uma Startup e fazê-la crescer.

“A melhor linguagem de programação”

A pergunta que eu mais ouvi na minha vida de programador é "Qual linguagem de programação é melhor?" e durante muitos anos eu me preocupei com isso achando que existia uma resposta única para essa pergunta. Mas vou te dar um spoiler: não existe.

Cada vez mais nos distanciamos do paradigma de que uma linguagem de programação resolve todos os seus problemas e nos distanciamos ainda mais do paradigma de que tudo que é mais recente é melhor. Hoje em dia, perguntar "Qual linguagem de programação é melhor?" é o equivalente a perguntar "Qual chave é a melhor do chaveiro?". Cada chave abre uma porta diferente, a melhor chave é aquela que abre a porta que você precisa.

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Então qual tecnologia usar?

Um dos dilemas da vida de todo mundo que já iniciou o desenvolvimento de um produto é, sem dúvida alguma, qual tecnologia usar. E pra quem está se perguntando isso neste momento eu dou quatro dicas:

1) Toda tecnologia tem prós e contras, avalie todos eles e peça ajuda se não entender do assunto;

2) A mais moderna nem sempre é a melhor: encontrar profissionais na sua região que são 100% experts em uma tecnologia que só fez sucesso entre os game-developers usuários de Solaris desktop do leste da Romênia não vai ser a tarefa mais fácil do mundo;

3) Não tenha medo de funcionários remotos e consultores: a experiência tem sua sua valia;

4) A melhor tecnologia é aquela que está a seu alcance, aquela em que você e sua equipe possuem maior dominância, que vai entregar maior solidez ao produto e maior velocidade de desenvolvimento.

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Não tenha medo da colcha de retalhos

Com o crescimento de soluções SaaS, IaaS e até PaaS (desculpe pela sopa de letrinhas, na ordem: Software as a Service, Infrastructure as a Service e Platform as a Service) o desenvolvimento de um produto digital está se aproximando cada vez mais de uma colcha de retalhos. Uma união de vários serviços e tecnologias diferentes com objetivo de atingir a melhor performance na solução do problema proposto.

É claro, eu não estou dizendo que é impossível fazer tudo sozinho. Muito pelo contrário, você provavelmente vai ter uma performance muito melhor e um custo muito menor se desenvolver todas as soluções customizadas para o seu produto. Mas isso pode ser muito mais trabalhoso, pode levar mais tempo e pode ser mais oneroso no quesito mão de obra.

Construir um produto hoje é um balanço muito fino entre o que deve ser realmente criado a partir do barro, o que deve ser reaproveitado e o que pode ser integrado com outras ferramentas. Tudo isso sem comprometer sua velocidade de crescimento, sua autonomia de customização e, acima de tudo, a entrega para seu cliente.

“Do grego, strategia…”

Se você que está lendo isso é um CEO, um CTO, um CFO ou qualquer outro dessa infinita lista de chefias que têm poder de decisão estratégica, atenção agora: sempre entenda as possibilidades que sua equipe e seu profissionais lhes apresentam, tente sempre entender como elas funcionam e o que é possível fazer com elas.

Sempre entenda os prós e contras de cada uma delas, e, no final de tudo, entenda que nem todas as peças do quebra cabeça se encaixam perfeitamente sem alterações. Não adianta eu tentar colocar a Suzy no avião da Barbie, não vai caber, não vai funcionar. Na tecnologia podemos aplicar o mesmo conceito.

Além disso, um cuidado muito importante é não prometer o que não é entregável. Grandes avanços tecnológicos só foram feitos porque a barra foi levantada por alguém, porque o desafio foi proposto. Mas quando os recursos são limitados, sejam eles financeiros, humanos ou temporais, decepcionar seu cliente é quase pior que entregar a solução maravilhosa só que com 10 anos de atraso. A transparência é uma grande aliada nesses casos.

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Por fim, não tenha medo de mudar! Seu produto deve ser modularizado o suficiente para que você possa trocar uma peça por outra melhor e isso tenha o menor impacto possível para o seu cliente. Não é porque você começou o projeto utilizando a tecnologia X que você vai ter que se casar com ela até que a morte os separe. Mudanças são necessárias e devem ser feitas com o maior planejamento possível, diminuindo ao máximo as possibilidades de falhas críticas em seus processos e produtos.

E voltando ao assunto do primeiro parágrafo, na língua inglesa existe um termo que, na minha opinião, representa muito bem a tal dominância necessária da tecnologia: "tech savvy". Talvez uma boa tradução seria "tecnologicamente safo", mas esse é um termo horroroso.

Então apenas lembre-se: quanto mais você se interessar pela tecnologia, mais você saberá suas possibilidades, e quanto mais ciente você estiver das possibilidades, mais otimizado será o aproveitamento de seus recursos e melhor será sua entrega de valor para seu cliente.

Não transforme seu motor em um encosto, aproveite o máximo possível dele!

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Eduardo Quagliato

Eduardo Quagliato

Web Developer @ Beracode

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